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Papo de Nostalgia

Vivo a 30 anos em Santa Cruz, é relativamente longe do centro do Rio. O costume destes trinta anos modificaram o que parece dificuldades para uns em prazer para mim. Admiro pessoas que moram mais perto reclamarem em chegar no centro às 8 da manhã. Tudo é costume, assim como tudo é cultura. Tudo, na verdade é relativo. A velha história do metade vazio ou metade cheio...

Uma das vantagens que coloco pra mim em morar longe do centro é o clima meio rural da zona oeste. Por aqui ainda temos estradas longas, de chão batido que da pra dar uma caminhada matinal com o mp3 bem alto sem se preocupar se vem carro, e se vier tenho a certeza que ele esperará até me tocar para aí sim passar. Não sei bem explicar, talvez tenha um bairrismo disfarçado , sinto cheiros e sinto as pessoas mais tranquilas na rua, um clima bem diferente das zonas sul, norte, centro. Algo parecido percebi também em um lado de Madureira. Tomei a liberdade nos 2 anos que trabalhei em Madureira de dividi-la em duas partes. A parte do Mercadão, que é a parte do comércio, dos ambulantes, dos salgadinhos e de muito tumulto, também a parte da Portela, do Império, do Shoping, das rodas de samba e o lado do SESC, do senac, de lojas de pano e de colégios, cursos. Este lado é outra Madureira, uma Madureira parecida com a zona oeste. Cada lugar é um lugar, nada é parecido, tudo é único, mas escrevo este texto vindo de minhas lembranças, e minha referência inevitavelmente é o lugar que moro, tudo pela viajem de hoje. São duas horas no ônibus, o ônibus direto, que só para em uns 20 pontos no centro da cidade e depois pega uma espécie de corredor expresso chamado seletiva na Av. Brasil. Bota Mp3, lê livro, dorme, olha paisagem, ri do ambulante, compra Jujuba. E não chega. Caminho no decorrer da semana pelas bandas da Ilha do Governador também, na divisa da baixada fluminense pois trabalho em Ricardo de Albuquerque, zona sul, lugar de bacana, zona norte nas idas à UERJ e no centro que é um lugar obrigatório, dali saem todas as linhas de ônibus, trem, é o centro né? Acredito que seja assim na sua aldeia também.

Mas é aqui, e volto a falar, não em tom que aqui é melhor. Aqui rola uns pipocos também. (Você sabe o que é um pipoco?). É aqui minha origem. Não estou preso, mas sinto falta do feijão à lenha da Dona Sebastiana. Sou nostálgico. Sim sou.

Estes dias vi uma senhora as 10 horas da noite a se balançar enfrente ao portão, era uma cadeira de balanço daquelas antigas, madeira macica, assento trançado de palhinha. É um dos objetos de desejo para meu lar, além de uma pickup, móveis de madeira e uma boa rede de casal. Preciso receber um salário que me permita comprar estes sonhos de consumo, é todo o meu sonho consumista. Durmo pensando nisso. Ah, um Opala também é bem vindo.

De manhã passa o homem do Aipim, diz ele que é aipim manteiga, da base aérea. Passam o homem que vende redes (meu sonho de consumo!), o homem do alho, o padeiro, o do ferro velho. Um tempo atrás tinha o do pintinho, que trocava panelha velha, garrafa e papelão por pintos coloridos que mesmo tratados com todo amor e carinho não passavam de 2 meses de vida ou o equivalente a 200 gramas, morriam sempre na madrugada. Era sempre uma icógnita e uma choradeira da criançada pela manhã. Isso foi na época que morei na Rua General Olímpio, conhecida como Jaqueira, lá tinha pé de Abil, caqui, araçá e lá também que descobri que morango dá no chão, rasteiro, assim como abóbora. Sim tinhamos isso tudo, além de amor, surra quando pegava a Monark dobrável sem pedir a mamãe e castigo de uma semana sem ver o Bozo.



Escrito por Vinicius D. às 07:58:15 PM
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Visões de um domingo deserto no centro do Rio

Tarde no Rio de janeiro, mais específico, Praça XV, caminho para pegar as barcas para Niterói e vejo uma cena surpreendente. Um morador de rua levanta e joga milhos próximo aos seus pertences. Uma enchurrada de pombos voam em sua direção como seus amigos, ele sorri, volta pro seu assento e fica ali, admirando a vida.

 

 

A noite (6/9/2009) o prédio da Petrobrás, na avenida Chile do Rio de janeiro dava um ar de modernidade no deserto que é o centro do Rio nos domingos.



Escrito por Vinicius D. às 04:34:41 PM
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